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DR. RODRIGO VIANNA |
GESTAÇÃO CONSCIENTE CITOMEGALOVIROSE E GRAVIDEZ Dr. Rodrigo Vianna Abordo hoje este assunto, como prometido a uma paciente que por um acaso
atendi há cerca de duas semanas atrás. Espero poder novamente
esclarecer a ela, e a todas as outras mulheres, o que é a Citomegalovirose. Por alguns motivos, muitos médicos acham que a pesquisa para CMV
não deveria ser rotineira na gestação que não
apresenta anormalidades: menos da metade dos casos ocorre dano fetal,
inexistência de tratamento, inexistência de prevenção.
Desta sorte, só traria apreensão materna, a ponto de que
o Ministério da Saúde ainda não recomenda que se
faça pesquisa de rotina para citomegalovirose na gestação.
O Citomegalovírus(CMV) é um vírus da família
do vírus Herpes, e também possui a propriedade de, uma vez
que tenha entrado em contato com um organismo, ficar dentro deste para
sempre, no chamado estado de latência. Também como o Herpes,
podem ocorrer reativações do CMV, sem que seja possível
prever e prevenir isto. O CMV encontra-se nos fluidos corporais, e desta forma pode ser transmitido.
Ou seja: saliva, sangue, urina e sêmen contaminados. Após
a primeira infecção, ocorrem sintomas inespecíficos
como: mal-estar, estado gripal, ínguas, que desaparecem em alguns
dias. Às vezes a infecção é completamente
assintomática. Este estado de viremia (vírus no sangue)
é a ocasião em que pode haver passagem do CMV para o feto,
o que chamamos de transmissão vertical. O mais importante, buscando tentar tranquilizar as mães com suspeita
de infecção aguda pelo CMV, é que na maioria das
vezes não ocorre a passagem do vírus para o feto. O percentual
de ocorrência desta transmissão vertical é de 30 a
50% nas gestantes que se infectaram pela primeira vez, e de 3 a 5% nas
gestantes com infecção recorrente. Nestes casos em que o
vírus chega ao feto, o grau de comprometimento fetal pode ir do
grave ao nenhum. Os mais sérios, além do óbito, seriam
lesões no sistema nervoso, ou seja, lesões cerebrais, oculares
e auditivas. Mas também pneumonia, hepatite e anemia podem fazer
parte do quadro. Dos fetos onde houve a transmissão vertical, apenas
10 a 15% são sintomáticos ao nascimento, com o restante
nascendo sem alterações aparentes. Mas 10 a 20% dos assintomáticos
irão desenvolver algum prejuízo futuro: retardo no desenvolvimento
neuro-motor ou surdez. Há então, uma chance muito maior de não haver danos
para o concepto do que de haver. Mesmo assim, uma vez que seja feito o
diagnóstico de CMV na gestação, o médico deve
ficar atento a esse pré-natal e até mesmo propor a gestante
o uso de métodos invasivos - amniocentese (punção
de líquido amniótico) e cordocentese (punção
do cordão umbilical) para tentar diagnosticar se houve também
infecção fetal. Obrigado pela atenção e até o próximo assunto:
parto normal x parto cesarea. Boa gravidez a todas. |