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GESTAÇÃO
CONSCIENTE, PARTO HUMANIZADO
GRUPO
DE GESTANTES
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Por Aline Rios
Um dos
momentos da vida da mulher em que a beleza e a feminilidade estão
mais abundantes é durante a gestação. É quando
a mulher está em sua plenitude, devendo ser aproveitado e vivido
da forma mais natural possível. Recentemente a mulher brasileira
está tendo mais consciência da importância deste momento
na sua vida, e exigindo que ele seja valorizado e respeitado. Um dos maiores
exemplos disso passa pela experiência do parto, que passa por um
processo de humanização em que se batalha pelo processo
natural do nascimento da criança.
Vários
projetos e organizações têm difundido a necessidade
da humanização do parto frente a tantas interferências
cirúrgicas desnecessárias. Projetos como a regularização
das casas de parto em 1999 e o lançamento de portarias para conter
cesarianas e incentivar o parto vaginal pelo Ministério da Saúde
em 1998 levam informações e várias gestantes brasileiras,
fazendo com que o processo do parto volte às suas origens. O impacto
dessas medidas já pode ser percebido. De 1997 a 1998, a taxa de
cesarianas no SUS passou de 32% para 28,4%, contra queda de apenas 0,4%
ocorrida entre 1994 e 1997. Mas o governo reconhece que os desafios ainda
são enormes, principalmente em relação às
maternidades particulares, algumas das quais chegam a exibir índices
superiores a 90% de cesarianas, apesar da Organização Mundial
de Saúde recomendar que este valor não ultrapasse os 15%.
Ao lançar uma campanha de incentivo ao parto natural, o Ministério
da Saúde reforçou que sua posição não
está relacionada à contenção de gastos - uma
cesariana, no Sistema Único de Saúde (SUS), custa R$ 402,
enquanto o parto normal não passa de R$ 291 - e, sim, aos riscos
advindos da cirurgia.
Alguns médicos confirmam que há uma banalização
da cirurgia, recomendada apenas quando o parto normal pode colocar em
risco a vida do bebê ou da mãe. A intervenção
cirúrgica, em muitos casos, pode significar desconforto no pós-parto
e recuperação lenta e dolorosa.
Números do Ministério da Saúde mostram que as cesarianas
desnecessárias existentes no país são fatores importantes
para o aumento dos coeficientes de mortalidade materna. Em 92% dos casos,
as mortes maternas são evitáveis.
Nas capitais brasileiras, a taxa de mortalidade materna foi de 74,5 óbitos
maternos por 100 mil nascidos vivos no ano de 2001. A infeccção
puerperal pós-cesariana é a terceira causa de mortalidade
materna, o que facilmente seria evitado com a diminuição
das intervenções cirúrgicas desnecessárias.
Em países desenvolvidos, a este número oscila de 6 a 20
óbitos por 100 mil nascidos vivos.
Em 1998 foi lançada uma portaria do Ministério da Saúde,
(MS/GM 2816) que determinou o controle sobre o pagamento do percentual
máximo de cesarianas em relação ao total de partos
por hospital. Segundo essa portaria, as elevadas taxas de cesáreas
são fatores determinantes de morbi-mortalidade materna e perinatal
no Brasil. Assim, seria pago às Instituições um limite
máximo de 30% de cesarianas entre o total dos partos financiados
pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A cesariana é uma cirurgia, e como tal implica um risco de morte
sete vezes maior que o parto normal para a mãe, e três vezes
maior para a criança, podendo ainda acarretar problemas como hemorragia
materna, lesões urológicas (vesicais ou uretrais) e infecção
puerperal. O trabalho de parto é um momento de preparação,
quando o bebê apronta-se para respirar com seus pulmões.
Por isso, crianças nascidas de parto cesáreo correm maiores
riscos de problemas respiratórios logo após o parto, entre
outros.
Sabe-se que nem todas as gestações podem evoluir para um
parto natural, tendo em vista complicações maternas e gestacionais
que, por colocarem a vida da mãe e ou filho em risco deve-se optar
pela cesariana. O problema é que muitas mulheres não esperam
o relógio biológico, e devido a vários fatores como
medo de dores, escolhem a cesariana como opção para seus
partos. Muitas das vezes aconselhadas pelos próprios médicos,
que assumem o poder sobre a vez e a hora do parto, tomando as rédeas
da natureza. Regulam tudo pelos critérios mais utilitários,
como dia de folga ou de plantão do obstetra, hora do consultório
ou preços pagos pelos planos de saúde, tratando o nascimento
de forma desrespeitosa.
Em algumas situações, no entanto, por mais que a mulher
queira a realização de um parto normal, ela não consegue
por apresentar problemas na musculatura pélvica, correndo risco
de lacerações do tecido ou força insuficiente para
expulsar o feto no segundo momento do parto. Esta é uma das razões
pelas quais a gestante deve incluir na sua rotina exercícios de
fortalecimento desta musculatura, que durante o período gestacional
sofre mudanças que alteram sua fisiologia normal.
Quem pensaria em mandar um homem de trabalho sedentário para correr
nas corridas olímpicas? Então porque a sociedade ocidental
espera que uma mulher que nunca usou seus músculos pélvicos
para algo tenha um parto fácil, proeza que exige muito mais dos
músculos do que qualquer outra competição atlética?
Parto requer preparo. Aulas de treinamento, como cursos de educação
para o parto, tentam realizar em alguns curtos meses ou semanas o que
deveria ter começado na infância: a saber pôr em forma
os músculos pélvicos utilizados na gravidez e parto e recuperar
a forma e tonicidade muscular depois do nascimento.
A atividade física durante a gravidez por si só tem um impacto
positivo global sobre o resultado da gravidez. Acredita-se que gestantes
que realizem exercícios físicos (desde que controlados e
sob supervisão) tenham partos mais rápidos e menos dolorosos
que aquelas sedentárias.
Vários estudos referem-se ao êxito do parto quando as mulheres
são preparadas especialmente para tal através de exercícios
físicos específicos, relacionado-os à diminuição
do tempo de duração do trabalho de parto e menor incidência
de cesarianas, além da menor incidência de complicações
obstétricas durante o período de expulsão e da diminuição
do uso de analgésicos e anestésicos.
Desde o momento da concepção, a gravidez altera profundamente
a fisiologia da mulher. Cada sistema do seu corpo se modifica durante
o ano de gravidez para poder atender às múltiplas necessidades
do crescimento e desenvolvimento do feto, para atender as demandas metabólicas
da gravidez e para proteger seu funcionamento fisiológico normal.
O fisioterapeuta com a devida formação especial, é
o profissional indicado para lidar com as múltiplas alterações
músculos-esqueléticas que ocorrem em resposta à gravidez.
É importante para o profissional da saúde que vá
trabalhar fisicamente com a gestante entender estas alterações,
seja qual for o foco do seu trabalho. Só assim ele poderá
planejar e executar melhor qualquer atividade física, garantindo
o sucesso do seu tratamento.
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Responsável
técnico pela página:
Dra. Aline Rios, fisioterapeuta.
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