zzzzzzzzzzzzzzzzzzz
AS MÁSCARAS MUTILADORAS

        As crianças, quando ainda não aprenderam as inibições da nossa sociedade, exploram seu mundo pelo tato. Tocam nos pais e aninham-se em seus braços, tocam em si mesmas, encontram prazer nos seus próprios órgãos genitais, segurança na textura de seus cobertores, excitação no pegar em objetos frios e quentes, lisos e rugosos.
        Mas quando o menino chega a certa idade tátil se reduz. O mundo palpável se estreita. O menino aprende a erigir anteparos corporais, adquire consciência de suas necessidades territoriais em função de sua cultura, e descobre que o mascaramento pode pô-lo a salvo de desgostos, muito embora o impeça de experimentar emoções diretas. Acaba por acreditar que tudo quanto perde em expressão ganha em proteção.
        Desgraçadamente, quando o menino se faz adulto, as máscaras se enrijam e se contraem, passando de artifícios protetores a artifícios mutiladores. O adulto descobre que a máscara, ao mesmo tempo que o ajuda a manter sua privacidade e impede todo relacionamento importuno, também se torna uma limitação e tolhe tanto as relações não desejadas como as desejadas.
        Fica então o adulto mentalmente imobilizado. A nova terapeutica fundada nos experimentos feitos no Esalen Institute de Big Sur, Califórnia, na pesquisa realizada em grupos isolados de homens que vivem na Antártida, e em seminários e estudos que no mundo inteiro se chamam grupos de encontro, procura atravessar essas imobilizações físicas e remontar a imobilização mental.
        Muito tem descrito o Dr. William C. Schutz sobre a nova técnica dos grupos de encontros, técnica destinada a preservar a identidade do homem na pressão da sociedade atual. Para mostrar quanto do sentimento e da conduta se exprime em linguagem corporal, o Dr. Schuts cita bom número de interessantes expressões que descrevem estados emocionais e de comportamento em termos corporais. Entre outras, estas: levar nas costas; ter as costas largas; aceitar de boa cara; ficar de queixo caído; ficar com pé atrás; com unhas e dentes, etc.
        O interessante é que todas elas são também frases da linguagem corporal. Cada uma exprime uma emoção, mas também exprime um ato físico do corpo que exterioriza a mesma emoção.
        Quando consideramos essas frases podemos compreender a sugestão do Dr. Schutz, que diz que "as atitudes psicológicas afetam a postura e o funcionamento do corpo". A Dra. Ida Rolf, por ele citada, admite que as emoções petrificam o corpo em padrões fixos. O homem permanentemente infeliz engendra um cenho franzido que acaba por se tornar parte do seu ser físico. O sujeito agressivo que se comporta o tempo todo como um bicão termina com a cabeça estendida para frente, postura que não lhe ,é possível modificar. As emoções, segundo a Dra. Rolf, fazem com que a emoção se congele numa dada posição. Por sua vez, essa posição provoca as emoções correspondentes. O sorriso permanente colado na cara, acredita a Dra. Rolf, influi sobre a personalidade e leva o indivíduo a sorrir mentalmente. Diga-se a mesma coisa de uma carranca ou de atitudes corporais menos óbvias e mais profundas.
        Dr. Alexander Lowen, no livro Physical Dynamics of Character Structure, concorre para este fascinante conceito ao afirmar que todos os problemas neuróticos são evidenciados pela estrutura e função do corpo. "Palavra alguma é tão clara como a linguagem corporal, uma vez que se tenha aprendido a interpreta-la", diz ele.
        E, prossegunido, relaciona a função corporal com a emoção. Uma pessoa de dorso curvado, escreve Lowen, não pode ter o ego forte do homem de dorso reto. O dorso reto, por outro lado, é menos flexível. 


Fragmento do livro "Linguagem Corporal", de Julius Fast
zzzzzzzzzzz
HOME
LINKS
 
Página Criada por Arnaldo V. Carvalho
RJ/ BRASIL - Fevereiro de 1999  •  Última Atualização: JANEIRO DE 2000
— FASE AMADORA —